O psiquiatra e escritor Augusto Cury, pré-candidato à Presidência pelo Avante, estará em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) neste sábado (16) para um evento de lançamento da sua pré-candidatura. Deverá ser a primeira de várias agendas de Cury pelo Paraná, em que deve apresentar as diretrizes iniciais do seu projeto político.

Em entrevista à FOLHA, o pré-candidato garantiu que pretende levar sua candidatura até o fim e afirmou que seu objetivo é ajudar o Brasil a “pensar grande novamente”. Ele também disse que não depende da política para sobreviver.

“Minha vida já foi construída fora dela. Quero reunir os melhores profissionais da iniciativa privada, das universidades, da educação, da ciência, do agro, da tecnologia e pessoas honestas para construirmos um plano de nação para as próximas décadas”, destacou.

Cury disse que a “política tradicional” mergulhou o país em “polarizações insanas, disputas irracionais, ataques pessoais e num silêncio preocupante sobre grandes projetos nacionais”.

“O Brasil precisa voltar a discutir educação transformadora, agricultura de alta produtividade, indústria 4.0, inteligência artificial, aumento da produtividade diante da perda do bônus demográfico, proteção das crianças e valorização da mulher”, pontuou. “O Brasil precisa menos de guerreiros ideológicos e mais de construtores de pontes de diálogo.”

Confira outros trechos da entrevista com o pré-candidato do Avante, Augusto Cury:

O senhor defende uma candidatura 100% baseada em projetos e 0% em ataques pessoais. Num cenário polarizado, como transformar esse discurso em votos?

A polarização dividiu famílias, destruiu amizades e criou uma sociedade emocionalmente adoecida. Muitas pessoas têm medo até de dizer em quem votam para não serem ridicularizadas ou agredidas. Meu projeto não nasce do ódio nem da vingança política. Nasce da necessidade de pacificar o Brasil sem renunciar a convicções. Tenho experiência como gestor, educador e formador de líderes. Durante décadas, dialoguei com empresários, educadores, profissionais da saúde, jovens, famílias e trabalhadores em mais de 90 países. As pessoas estão cansadas de ataques pessoais. Elas querem segurança emocional, esperança econômica, oportunidade para os filhos e líderes que saibam discordar sem destruir. Minha estratégia é simples: apresentar projetos concretos, falar com as pessoas e mostrar que é possível fazer política com firmeza, mas sem transformar adversários em inimigos.

Na pesquisa Genial/Quaest de maio, o senhor apareceu com 1% das intenções de voto. Qual é a estratégia para deixar de ser uma candidatura de nicho e se tornar competitivo nacionalmente?

Estamos começando com humildade, 1% a 2%. Grandes montanhas são formadas por pequenos grãos de areia. Nunca desprezem a sabedoria porque ela é humilde. E a humildade é o oxigênio. À medida que as pessoas conhecerem nossos projetos, terão a oportunidade de enxergar uma alternativa diferente: uma candidatura baseada em ideias, educação, saúde emocional, empreendedorismo e pacificação social.

Que política concreta o senhor propõe para enfrentar ansiedade, depressão, burnout e suicídio?

Minha proposta é transformar saúde emocional em política de Estado. Precisamos inserir programas permanentes de gestão da emoção nas escolas, capacitar professores, criar centros preventivos de saúde mental, fortalecer atendimento psicológico público, investir em prevenção ao suicídio e combater a intoxicação digital que está acelerando a ansiedade coletiva. Também defendo programas nacionais de apoio emocional para professores, profissionais de segurança, da saúde e trabalhadores submetidos a altos níveis de estresse. Cuidar da saúde mental não é gasto. É investimento na inteligência, produtividade e estabilidade social.

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O Avante lançou André Janones como pré-candidato em 2022, mas retirou a candidatura antes da eleição e apoiou Lula. Que garantias o eleitor tem de que sua pré-candidatura irá até o fim?

Pretendo levar minha candidatura até o fim porque meu objetivo é ajudar o Brasil a pensar grande novamente. Precisamos discutir temas centrais e não apenas guerras ideológicas. Na agricultura, por exemplo, muitos produtores enfrentam custos elevadíssimos e margens pequenas. Na educação, precisamos de escolas em tempo integral para dar condições para que os jovens se desintoxiquem digitalmente e os filhos desenvolvam habilidades para serem pensadores e não repetidores de informação. Quero escolas com aulas de oratória, teatro, gestão financeira, empreendedorismo, inteligência emocional e preparação para a nova economia digital. Os pais mais pobres que não têm onde deixar seus filhos precisam ter a convicção de que seus filhos estarão protegidos, estimulados intelectualmente e preparados para o futuro. Minha candidatura nasce de um projeto de nação, não da busca de poder.

Caso não chegue ao segundo turno, o senhor apoiaria Lula, Flávio Bolsonaro ou outro nome?

Minha prioridade neste momento é apresentar ao Brasil um projeto nacional consistente e mostrar que existe espaço para uma política menos agressiva e mais inteligente. Muitas pessoas ainda não sabem que sou pré-candidato à Presidência, embora minha trajetória como escritor, psiquiatra e educador seja conhecida em dezenas de países. Entro na política uma única vez. Se tiver o privilégio de servir ao país, quero cumprir minha missão e voltar à minha vida como escritor e pesquisador. Não estou construindo uma carreira política. Estou tentando contribuir com o Brasil em um momento de profunda exaustão emocional, social e institucional. Por isso, não está no meu radar apoiar um candidato no segundo turno, porque nós estaremos lá.

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