Pai e avó de Eduarda Shigematsu começam a ser julgados em Maringá
Investigadora do Sicride e médico-legista foram ouvidos nas primeiras horas do julgamento, que não tem previsão para terminar
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quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Investigadora do Sicride e médico-legista foram ouvidos nas primeiras horas do julgamento, que não tem previsão para terminar

O Tribunal do Júri de Maringá (Noroeste) começou a julgar nesta quarta-feira (16) os réus Ricardo Seidi e Terezinha de Jesus Guinaia, pai e avó paterna de Eduarda Shigematsu, encontrada morta aos 11 anos, em abril de 2019, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina). A última imagem da menina com vida foi registrada perto do meio-dia de 24 de abril daquele ano. O corpo foi encontrado enterrado em um imóvel da família quatro dias depois.
O pai foi preso logo após a localização do corpo e segue detido desde então, sendo réu por homicídio triplamente qualificado por asfixia, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Terezinha responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica, pois, segundo a acusação, já sabia da morte de Eduarda quando registrou um boletim de ocorrência de desaparecimento no dia 25 de abril.
Em depoimento à Polícia Civil após a prisão, Ricardo disse que encontrou a filha morta, enforcada, e que, desesperado e com medo de ser responsabilizado, decidiu enterrar o corpo. O laudo de necropsia, no entanto, concluiu que a morte ocorreu por esganadura. Um documento mais recente da Polícia Científica, juntado ao processo em agosto de 2025, reforçou a conclusão e afastou a hipótese de suicídio: foram identificados “estigmas digitais no pescoço da vítima, equimose e escoriações do queixo”.
O júri popular começou na manhã desta quarta-feira, por volta das 10h, com um corpo de jurados formado por quatro homens e três mulheres. Ricardo foi levado até Maringá para ser julgado, mas Terezinha está participando remotamente do julgamento.
Antes do início do júri, o advogado Douglas Rocha, que representa Ricardo, afirmou que o réu mantém desde o começo do processo a mesma versão. "O Ricardo confirma a mesma tese inicial, de que ele teria encontrado a Eduarda já sem vida e teria, sim, realizado a ocultação do cadáver. O porquê desse desespero dele será esclarecido também no plenário.”
O advogado Mauro Valdevino, que representa a avó, disse que Terezinha registrou o boletim de ocorrência tardiamente, mas que é comum o entendimento de que seria necessário esperar 24 horas para comunicar a polícia. “Ela não fugiu à responsabilidade de acionar as autoridades.” Quanto à acusação de ocultação de cadáver, o defensor disse que “é impossível”.
“Nas imagens que foram captadas no dia que o veículo entrou naquela casa e a criança enterrada, mostra-se claramente que a senhora Terezinha não estava ali, que ela estava no local de trabalho dela, e tem testemunhas nos autos. O caso dela é de absolvição.”
A previsão é que sete testemunhas sejam ouvidas. Nas primeiras horas da sessão, uma investigadora do Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas), que atuou nas buscas por Eduarda, falou em plenário. Durante a tarde, foi a vez de um médico-legista prestar depoimento. No início da noite, o delegado responsável pela investigação do caso começou a ser ouvido pelos jurados.
"SÓ ESTOU EXISTINDO"
No intervalo para o almoço, a mãe de Eduarda, Jéssica Pires, falou com a imprensa e cobrou justiça pela morte da filha.
“Olha, foi muito difícil, muito difícil. Eu faço tratamento com psicólogo, psiquiatra, toda semana. Na verdade, eu só estou existindo. Eu espero que depois desse julgamento eu consiga sentir pelo menos um pouco de alívio, para conseguir seguir minha vida”, afirmou Jéssica, que ficou frente a frente com Ricardo pela primeira vez desde a prisão dele. “Eu acredito que ele poderia ser julgado em qualquer cidade que teria o mesmo resultado.”
Até o fechamento deste texto, o júri ainda não havia sido encerrado.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.


