MP denuncia 4 por tortura e morte de homem que caiu de prédio
Denúncia aponta que vítima ficou mais de quatro horas sob agressões antes de escapar e cair de edifício
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Denúncia aponta que vítima ficou mais de quatro horas sob agressões antes de escapar e cair de edifício

O MP-PR (Ministério Público do Paraná) denunciou quatro homens pela morte de Alexandre Rodrigues Ramos, 27 anos, que caiu do 14º andar de um edifício na avenida Celso Garcia Cid, na zona leste de Londrina, em 14 de agosto. Segundo a denúncia apresentada pela 16ª Promotoria de Justiça de Londrina, a vítima foi mantida em cárcere privado, amarrada, agredida física e psicologicamente e obrigada a ingerir medicamentos antes de tentar fugir do apartamento e cair.
Os quatro denunciados, que tinham entre 22 e 24 anos na época dos fatos, devem responder por tortura qualificada com resultado morte, com aumento de pena em razão do sequestro (cárcere privado), além de fraude processual. O MP-PR também pediu que seja estabelecido multa com valor mínimo de R$ 40 mil, sendo R$ 10 mil de cada acusado, para reparação por danos morais aos familiares e herdeiros da vítima.
A denúncia mantém a conclusão do inquérito da PCPR (Polícia Civil do Paraná), que constatou que Ramos não foi jogado do prédio, mas teria caído involuntariamente enquanto tentava escapar das agressões. Segundo o delegado Roberto Fernandes, responsável pelo caso, a vítima tentou alcançar a sacada do apartamento no andar inferior, mas perdeu o equilíbrio. A versão foi reforçada por depoimento de uma testemunha e pelos exames periciais feitos no edifício.
Cárcere e agressões
De acordo com a acusação, Ramos frequentava o apartamento porque mantinha um relacionamento afetivo com uma das moradoras, que residia no imóvel com os quatro denunciados. As agressões teriam começado na noite de 13 de agosto, depois que os moradores passaram a cobrar da vítima informações sobre uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil, que eles acreditavam ter sido furtada pela vítima. A investigação apontou que ele também teria uma dívida de R$ 800 com um dos acusados.
A investigação aponta que Ramos foi levado para um dos quartos e mantido preso durante a madrugada. Conforme a denúncia, os agressores utilizaram uma extensão elétrica para amarrar suas mãos e pés, além de submetê-lo a socos, chutes, tapas, ameaças e outras formas de violência. Ele também teria sido obrigado a ingerir comprimidos de um sedativo, com o objetivo de reduzir sua capacidade de reação.
As agressões teriam durado mais de quatro horas. A investigação da Polícia Civil apontou que a vítima conseguiu se desvencilhar das amarras e, aproveitando-se de um momento em que os agressores dormiam, tentou escapar pela janela. Ele cortou a tela de proteção e procurou acessar a estrutura externa do prédio, mas caiu. O laudo necroscópico apontou que a morte ocorreu em decorrência do impacto da queda.
O caso havia sido inicialmente tratado como suicídio. A hipótese mudou depois que policiais identificaram indícios de que a vítima poderia ter sido submetida a violência antes da queda. Na primeira fase da investigação, quatro homens foram presos em flagrante e tiveram as prisões convertidas em preventivas. A polícia também apreendeu celulares, medicamentos e a extensão elétrica que teria sido utilizada para imobilizar Ramos.
Motivo das agressões
Conforme relatos obtidos pela polícia durante a investigação, Ramos teria indicado quem havia comprado a câmera que gerou as agressões. Um dos moradores chegou a localizar o comprador, mas a câmera já havia sido revendida. Mesmo assim, segundo a apuração policial, a violência continuou.
Além dos quatro suspeitos, estavam no apartamento a namorada de Ramos e outro homem. A mulher afirmou à polícia que também foi ameaçada e que teria sido impedida de intervir. O outro morador relatou ter tentado acionar a polícia durante a madrugada, mas disse ter sido ameaçado pelos acusados.
Além da tortura, o MP-PR acusa os quatro homens de fraude processual porque, segundo a denúncia, os acusados teriam adotado medidas para dificultar a investigação e criar uma versão de suicídio para a queda de Ramos.
Os objetos utilizados para imobilizar e agredir a vítima teriam sido escondidos. Os denunciados também teriam apagado de seus celulares fotografias que registravam as violências, descartado documentos pessoais de Ramos em uma lixeira pública, fechado a janela pela qual ele havia caído e colocado um colchão diante da porta do apartamento para dificultar a entrada das forças de segurança. A denúncia sustenta que essas ações tinham como objetivo ocultar as agressões e dificultar a apuração das circunstâncias da morte. (Com assessoria do MP-PR)


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