Mesclando cultura e educação, Fazendinha atrai visitantes
Espaço de 11 mil metros quadrados, onde é oferecida uma programação variada, é um dos destaques da ExpoLondrina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de abril de 2025
Espaço de 11 mil metros quadrados, onde é oferecida uma programação variada, é um dos destaques da ExpoLondrina
Bruno Souza - Especial para a FOLHA 

A Via Rural Smart Farm - popularmente conhecida como Fazendinha - atrai diversos visitantes diariamente aos cerca de 11 mil metros quadrados de área dentro da ExpoLondrina. Com uma programação variada dividida em 22 estandes, o local recebeu na 28ª Edição, em 2024, 200 mil pessoas. Para este ano, a expectativa, segundo a SRP (Sociedade Rural do Paraná), é que esse número seja superado.
E não faltam opções para os que desejam fazer um passeio em família regado a cultura, educação e curiosidades sobre a região Norte do estado. Já na entrada do percurso, é possível ter um panorama do império do café que os municípios do Paraná construíram ao longo do tempo. O estande Café Qualidade relembra os tempos áureos da produção cafeeira na região de Londrina, com filas de pés de café - permitindo a imersão do visitante nas lavouras - e informações sobre a qualidade do grão, que é referência nacional.
CAFÉ QUALIDADE
Denilson Fantin, técnico do Programa Café do IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural) e responsável pelo Centro de Pesquisa em Qualidade do órgão, lembra que 2025 marca os 50 anos do maior evento climático do setor, a geada negra. Além de tecnologia para lidar com o clima, o IDR, nas últimas décadas, criou ferramentas para atenuar outras “pragas”. O órgão desenvolveu e registrou 13 variedades resistentes às principais pragas e doenças do parque cafeeiro do Brasil. O cruzamento genético dos grãos, que mescla ciência e tecnologia, já tem 9 variantes disponíveis no mercado.

“A ferrugem alaranjada do cafeeiro é a pior doença. Dizemos que é uma geada por ano, se não controlarmos a ferrugem. Nós temos 4 variedades com resistência total. Elas são imunes à ferrugem. Esse cruzamento criou uma planta com grande rusticidade e resistência”, explica Fantin.
O cruzamento genético, feito por melhoristas do IDR, é um trabalho científico que pode demorar décadas até entrar em circulação. “Para se lançar uma variedade, são no mínimo 25 anos de estudos. Desde o primeiro cruzamento no pólen até o avanço das gerações. [...] Temos duas variedades com resistência a Nematóides [praga que corrói o café], são as únicas no Brasil. Elas são plantadas em Minas Gerais e pagam royalties ao governo do estado”, garante.
O Paraná, que em seu ápice teve 1,68 milhão de hectares de plantações de café, hoje anota somente 25 mil hectares. Cerca de 90% da colheita ainda é feita manualmente.
ROTA DA SEDA
A rota da seda, dividida em dois estandes, também é popular entre os visitantes. Os técnicos da empresa Bratac Seda, de Londrina, dividem-se para explicar todo o processo aos curiosos, desde a eclosão dos ovos do bicho-da-seda até a fase adulta do inseto, quando produzem os casulos da seda.

Além de produzir um dos tecidos mais nobres do mundo, o bicho-da-seda também vem sendo testado em outros produtos, como whey protein - ainda não comercializado - e crisálida, uma crocante ração animal e petisco feito do corpo do inseto. As pessoas que passarem pelo local podem provar a isca.
Os estandes do bicho-da-seda não param de receber pessoas o dia inteiro. De acordo com o supervisor técnico da empresa Maicon de Souza, os visitantes ficam encantados com o processo até a comercialização do fio. Não é para menos. Segundo ele, o estado é referência no produto, consumido majoritariamente no exterior.
“Mais de 90% [da produção] é feita para exportação. É pouco o que fica aqui no país. Então, sempre trabalhamos prezando pela qualidade do casulo. O fio de seda brasileiro produzido na Bratac é o melhor do mundo. Atendemos principalmente o mercado europeu e asiático”, salienta Souza. O estande Sericicultura funciona das 9h às 18h.

LEIA TAMBÉM:
= Pesquisas da UEL buscam soluções sustentáveis para a sericicultura
ABELHAS E INSETOS
A Smart Farm também foca em estandes com abordagens na preservação de insetos e animais na flora e fauna da região de Londrina. A Apicultura tem espaço de destaque, com exposição de variadas espécies de abelhas e a sua importância para o ecossistema. Cléber de Oliveira, engenheiro agrônomo na empresa Stander Bee Consultoria, destaca que a extinção das abelhas deve ser levada a sério pela sociedade.
“O principal causador da extinção das abelhas é o defensivo agrícola. Na cidade, temos a questão do fumacê. O nosso trabalho aqui na exposição é justamente trazer a variedade das espécies para o pessoal ver, para tentar mudar essa ideia de que abelha mata e tentar mudar a conscientização sobre os defensivos.”
Além de ser necessária para manter o status quo da natureza, as abelhas também trazem lucro a quem as cultiva.
“O principal subproduto da abelha, o mel é o mais comercializado. Mas também há a comercialização das colônias de abelhas sem ferrão, a própria polinização, porque há produtores que as compram para fazer esse serviço”, explica.
De acordo com o engenheiro, as colheitas de mel são sazonais e ocorrem duas vezes por ano, em abril e outubro. Uma colônia produz de 18 a 30 kgs de mel por ano.
A UEL (Universidade Estadual de Londrina) também esteve presente com um estande com foco na proteção de insetos. O projeto Guardião das Abelhas, do CCB (Centro de Ciências Biológicas), por exemplo, atua nas escolas municipais, explicando a importância das abelhas, usando a alimentação como base. No espaço, os alunos podem elucidar curiosidades sobre borboletas, besouros e até bicho-pau.

FRUTICULTURA E TURISMO
Na aquicultura, o IDR-Paraná apresenta os processos de tratamento da água de forma sustentável mantendo a saúde e crescimento dos peixes, os tipos de tanque e peixes de diversos tamanhos para demonstração.
A área de fruticultura e olericultura traz os diferentes tipos de plantio, as opções alternativas como o uso de microalgas e demonstração das principais pragas e parasitoides agrícolas. A agricultura familiar também faz parte da rota. O restaurante rural apresenta pratos e bebidas especiais de produtores familiares. A área de agroindústrias familiares traz produtos do ramo, como queijos, embutidos, alimentos desidratados e muito mais.
O espaço de turismo rural mostra algumas das rotas criadas pelo IDR-Paraná que são destaque no Estado, como a Rota do Queijo, Rota do Vinho e a Rota da Erva-mate, que ainda está em processo de criação.

QUEM FOI, GOSTOU DO QUE VIU
A Fazendinha oferece uma gama de informações úteis para todos, mas principalmente para quem está vendo temas relacionados em sala de aula. Patrícia Aparecida é coordenadora do Ensino Fundamental 1 do Colégio Santa Marta, de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina). Ela garante que todo o conhecimento adquirido na Fazendinha poderá ser usado em sala de aula. Somente nesta segunda-feira (7), 138 alunos passaram pela Fazendinha com o apoio de 23 professores da instituição.
“É um momento único. Muitas crianças nunca tiveram a oportunidade de vir. É um momento maravilhoso para eles terem contato com o meio ambiente, com os animais e com os profissionais que estão ali também, apresentando para eles”, expõe.
Segundo a SRP, neste ano 21 mil alunos de diversas escolas da região passarão pela área até o fim da feira. Além das crianças e adolescentes, outras 10 mil pessoas cadastradas em outras entidades também marcarão presença na Fazendinha até dia 13 de abril.
As 22 opções de conteúdo também encantaram o público da terceira idade. Neuza de Abreu, aposentada de 66 anos, ficou maravilhada com toda a estrutura. Sem visitar a feira há alguns anos, ela foi convencida pelas irmãs a fazer o “tour” pela Smart Farm e garante que não se arrependeu. “É muito lindo. Há muita informação e coisas diferentes. Tudo chama a atenção", afirmou. (Com AEN)



